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16/04/2015 - Sábado tem o megaleilão de Água Boa, o maior do mundo

Mais que evento para leiloar bovinos de cria, recria e engorda o Megaleilão de Água Boa é o maior leilão da pecuária mundial, que acontece anualmente naquela cidade. No próximo sábado, às 12h, a Estância Bahia, que o promove, realizará o Mega deste ano.

No recinto da Estância Bahia, à margem da rodovia BR-158, próximo a Água Boa, a movimentação é intensa. Cerca de 30 pecuaristas esperam o grande momento para a venda de seus lotes de animais. Interessados em comprar percorrem a curralama, conversam com colegas e ficam de olho naquilo que mais lhes interessa.

Nos dias que antecedem o grande evento, tratoristas transportam ração para os animais à espera do Mega. No escritório uma equipe afinada se desdobra cuidando da papelada e mantendo contatos com pecuaristas fora do município, que acompanharão o evento pela transmissão do Canal Terra Viva e que poderão participar com lances, desde que cadastrados.

Com a aproximação do Mega, em Água Boa a rede hoteleira comemora a alta temporada com total ocupação dos leitos. Nos restaurantes clientes aguardam a desocupação de mesas. Os bares permanecem cheios tanto quanto os salões de beleza, onde as mulheres cuidam do visual. No dia da realização o aeroporto municipal da cidade é literalmente ocupado por jatos executivos, turboélices, bimotores e monomotores de pecuaristas de Mato Grosso e outros Estados, todos atrás de bons negócios no thatersal da Estância Bahia.

A economia do Vale do Araguaia, onde se situa Água Boa, toma impulso com o Mega. Dezenas de caminhões boiadeiros são mobilizados para o transporte dos animais ao recinto, e dele ao seu novo destino. Maurício Tonhá, presidente e fundador da Estância Bahia comemora o fato de nunca nenhum motorista ter feito o sentido contrário com animal para a fazenda de sua origem. “Todos (os animais) que botamos à venda foram arrematados e isso nos enche de orgulho e nos motiva a trabalhar cada vez mais em sintonia com nossos parceiros”, diz.

O AGORA – A Estância Bahia desconversa sobre números limitando-se a dizer que a meta é botar ao menos 10.015 animais na pista e vender todos eles. Isso, porque o nome do evento é Megaleilão 10.015, título que mantém a tradição que começou em 2001, com o Megaleilão 10.001 e prosseguiu ano a ano com o Mega 2002, 2003, 2004...

Mesmo evitando números e detalhes a diretora da Estância Bahia, Gabriela Tonhá, revela informações sobre a participação de alguns pecuaristas no evento. Gabriela disse que a Agropecuária Couto Magalhães, de Água Boa, levará à pista 3.500 machos e fêmeas; que Carlito Guimarães, do Nelore Reata, em São José do Xingu, ofertará 2.000 machos; e que a Fazenda Rio Bonito, de Água Boa, estará em cena com 2.500 garrotes de seu projeto Recria.

NASCE O MEGA – Fundada em 21 de abril de 1991, a Estância Bahia chegou ao ano 2000, muito bem, mas faltava o lance diferenciado. Esse lance mexeu com a ousadia de Maurício Tonhá sacudindo-o para um grande evento em 2001, em comemoração ao décimo aniversário da leiloeira.

Dez é referencial. Quem é nota 10 é o melhor. Com esse número na mente Maurício Tonhá reuniu-se com a família no final de 2000 para anunciar algo muito ousado. Na sala de sua casa, disse a sua mulher, dona Jane Cristina, e ao cunhado César Friedrichs, que em 2001 faria um leilão diferenciado em Água Boa, para vender 10 mil cabeças de bovinos a campo em comemoração ao décimo aniversário da Estância Bahia.

Dona Jane Cristina e César se assustaram. Os dois conheciam bem a empresa, porque desde o primeiro momento compartilharam sua direção. Ambos sabiam que não seria fácil montar estrutura para o manejo de tantos animais assim, e que não menos difícil seria encontrar tal quantidade de animais para levá-los à pista.

Maurício Tonhá procurou tranquilizá-los apresentando uma lista com 5 mil cabeças que iriam ao leilão. Ao leilão, não, ao Megaleilão. No dia seguinte a reunião, os três se encontraram no escritório. Antes que o cunhado dissesse algo, César tirou do bolso uma lista com outros 5 mil animais que poderiam completar os 10 mil. Os dois se abraçaram diante do olhar de felicidade de dona Jane Cristina.

O projeto do Mega despertou interesse jornalístico. Ao Canal do Boi Maurício Tonhá falou sobre a quantidade de animais que pretendia vender. Sua entrevista criou expectativas, mas levantou desconfiança a ponto de um assinante da TV no Rio Grande do Sul ligar para ele, no escritório da Estância Bahia.

No telefonema o telespectador tentou ridicularizá-lo dizendo que “nenhum vivente na face da ‘tera’ seria capaz de tamanha proeza”. Maurício Tonhá retrucou, mas do outro lado da linha o gaúcho aumentava o tom da crítica, a ponto de chamar a proposta de picaretagem. O fundador da leiloeira não engoliu o atrevimento e, além de se defender à altura, gritou a frase que serviu de logomarca ao seu grande leilão, “Olha seu fulano, vou vender não apenas 10 mil cabeças. Vou vender 10.001”.

Não em resposta ao crítico telespectador, mas em nome do projeto de seu grupo empresarial, Mauricio Tonhá realizou com sucesso o Mega 10.001, em Água Boa. À batida do martelo sua equipe vendeu os 12.861 animais em pista. Nos anos seguintes os números se tornaram ainda mais expressivos e mais de 500 mil bovinos passaram pela pista do Mega.

 
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